Mentalidade

Comparação entre nadadores: o que a diferença mostra

A comparação entre nadadores mostra sobretudo diferenças de crescimento e maturação. Usa o tempo e o próximo passo do teu nadador. Trata o outro nadador como parceiro de treino.

21 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

Ideia em Resumo

  • O mesmo escalão não significa o mesmo corpo. A maturidade pode diferir em anos.
  • O mês de nascimento molda a atenção mais do que a velocidade. Dados portugueses mostraram uma seleção desigual, com pouco efeito na velocidade.
  • Usa o relógio e o que vem a seguir. O outro nadador é um parceiro de treino.

Na parede, a tua filha vê aparecer o tempo do outro nadador. O intervalo de quatro segundos é o facto que ambas levam para casa. Mas a pista do lado é a medida menos útil de todo o recinto. Nadadores do mesmo escalão, ou categoria de idade, podem ter corpos em pontos diferentes.

Uma revisão do British Journal of Sports Medicine, de Malina e colegas, mostra como esse intervalo pode ser grande. Em estudos de longo prazo com jovens europeus, a idade do pico de velocidade de crescimento, o ano em que se cresce mais depressa, variou entre cerca de 9,0 e 15,0 anos nas raparigas. Nos rapazes, foi entre 11,5 e 17,3 anos. Na natação, rapazes dos 10 aos 12 cobriam toda a faixa de maturidade. As raparigas com menos de 14 também, embora mais fossem médias ou precoces. Aos 14 e 15, a maioria era média ou avançada. Quase todos os de 16 e 17 já tinham o esqueleto maduro. Infantis A e Juvenis B ainda têm essa dispersão. Por isso, a maturidade é um fator, não uma explicação completa.

Costa e colegas estudaram os 50 melhores nadadores portugueses dos 12 aos 18 anos, em 7813 participações em provas. As datas de nascimento eram desiguais ao longo do ano. Nasciam mais nadadores na primeira metade. Dentro desse grupo, o trimestre de nascimento quase não fez diferença na velocidade. Nascer no início do ano pode ajudar um nadador a ser notado mais do que a nadar. A revisão de Malina também descobriu algo interessante. Os grupos selecionados vão estreitando entre os 11–12 e os 15–16 anos, à medida que restam menos maturadores tardios. Estes padrões não te dizem que nadador vai liderar mais tarde.

A comparação muda aquilo que um nadador persegue. Em casa, pode soar a um pai a dizer: “Este ano baixaste menos tempo do que ela.” O foco passa do trabalho dela para o corpo e o tempo de outra pessoa. Aquilo que se celebra é aquilo que aprendem a procurar. A classificação mede a competição; o recorde pessoal mede o nadador. Ao jantar, usa o relógio e o passo seguinte: “O que mostrou o teu tempo, e o que vem a seguir?” Assim notas o outro nadador sem fazer dele o padrão.

Os treinadores comparam nadadores para as pistas, os grupos e a ordem da estafeta. Esse é o trabalho deles, e a colocação nos grupos fica com eles. Falar com o treinador pode ajudar a manter essa linha clara. Para o teu nadador, o miúdo da pista ao lado é, antes de mais, um parceiro de treino. Ter alguém para perseguir na última série pode dar algo que um cronómetro não dá. Quando surgir a comparação, volta ao relógio. Depois deixa o outro nadador voltar a ser um parceiro de treino.


Partilha com o teu nadador

Usa palavras adequadas à idade dele:

  • Menos de 12 (és tu a conduzir). “Ela é a tua parceira de treino. O que mostrou o teu relógio?” para lhe dar uma medida clara.
  • 12–15 (partilham o volante). “Os corpos crescem em relógios diferentes. O que vem a seguir para ti?” para levar a comparação a um sítio útil.
  • 16+ (são eles a conduzir). “Também vi o intervalo. Como é que o lês?” para ouvir primeiro a opinião deles.

Mantém-te alinhado com o treinador

O treinador compara nadadores para as pistas, os grupos e a ordem da estafeta. O pai mantém a conversa em casa no relógio do nadador e no próximo passo. Pergunta: “O que devemos observar no progresso dela?” e deixa a colocação com o treinador.

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